segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Não sei o que é mais espantoso no caso do vestidinho curto. Se é a quantidade de jovens eunucos que se ouriçaram, e até fizeram uma festa do constrangimento em desomenagem a jovem dona do vestidinho - e DONA do par de pernas também - ou se é a justificativa dada pela universidade Uniban para a expulsão - talvez revogada - da garota. Dizia o documento que ela "comportou-se com desrespeito e imoralidade".
Trocando o ocorrido em miudos, tudo o que é novo causa espanto - ou inveja. Logo imagino essa frase quando penso naqueles pobres jovens imaculados que se espantaram ao ver um par de pernas a mostra, justo na "universidade", local para eles sagrado, apenas direccionado ao ensino. Acreditam serem esses doces jovens o futuro da nação. Parece Piada.
Bem, como não foram apenas "garotos" que se espantaram com a novidade, imagino a mesma frase, do novo, também para as "garotas". Seria a frigidez uma boa opção para explicar o caso? Espero que não. Talvez nem Freud explicasse
Como a dose de sadismo naquela "festa" da "universidade" não foi suficiente para temperar o banquete, a direcção da universidade decidiu devorar a vítima metendo-a pela garganta da expulsão, tendo os motivos já sido apontados aqui. No meio dessa festa, o reitor decidiu ser o palhaço. Assinou em baixo - nesse momento é que fico mais perplexo.
Não sei em que universidade o "reitor" - adoro as aspas - estudou e em que pais ele nasceu. MAs de algumas coisas sobre ele tenho certeza: o dito cujo é parente de Janio Quadros(Lei anti-biquíni); seus pais eram integralistas; em 1968 estava em outro planeta e só retornou, já no Brasil, depois de 1985, não fazendo ideia do que ocorreu a partir de 1964.
O que realmente me indigna não é nem tanto o que um vestido curto e um par de perna s pode causar - outra piada - mas sim a falta de respeito que uma coleção de pessoas sádicas podem atirar numa outra pessoa e em seu vestidinho curto - sem esquecer do par de pernas. E o mais intrigante é que o fato não aconteceu numa praça pública em pleno Irã ou Cazaquistão, mas sim numa "universidade" brasileira. Chega de Piadas.
Graças a boa democracia, existem as feministas - não que eu as adore, mas sei da necessidade. Mesmo que elas talvez não consigam explicar - a questão é complexa - o ocorrido, ao menos conseguirão contestar a postura violenta, anti-democrática e claramente machista daqueles apedrejadores.
Espero sinceramente que os vestidinhos curtos continuem passeando pelas nossas terras tupiniquins. Antes eram os índios de tangam e quiseram vesti-los; hoje são as pernas de fora e querem esconde-las. Quando isso acontecer, quero estar em outro planeta, de preferência tropical.

4 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Pessoas hipócritas os que gritaram, de conteúdo intelectual limitado, pois ao ligarem a televisão "aplaudem" a sensualidade explorada pela mídia e acham isso totalmente normal.
    Essa moça é igual a todos nós, ínfimes seres humanos sucetíveis a erros e a submissão da nossa cultura...
    Em relação a posição tomada pelo reitor, sem comentários, vc já disse tudo, PALHAÇO!
    O pior de tudo é q será só mais um assunto posto na mídia sem resultados e que não servirá pra nenhum tipo de mudança...

    Parabéns pelo texto! "Íncrivel.Q nível!" rs

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  3. Bom bom boom, não tá.
    Mas tá bom.
    Vc até que escreve bem.
    Beijos maninho :)

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  4. Vinicius!
    Amei o texto, a ironia e a contextualização me chamaram muito a atenção.
    Você viu o vídeo? Pareceu mais um bando de apedrejadores, Maria Madalena e o papel de Jesus sendo feito pela polícia.
    Um absurdo, no mínimo.
    Gostei muito, parabéns.

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